
25/08/09
Saimos no Correio Braziliense
por Marcos Linhares
Matéria de izabel Toscano, do Correio Braziliense, fala sobre o Festival Internacional de Bonecos 2009 de Brasília

FESTIVAL Bonecos do mundo em Brasília
Grupos vindos de vários países se encontram de hoje a domingo. Destaque para a Cia. Figurina, da Hungria
| Randal Andrade/Divulgação |
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As Caixeiras, de Brasília, vão apresentar seu espetáculo em quatro atos: O vestido, A mensagem, Ataque de nervos e Priscila perereca
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Mamulengos como João Redondo, Babau, Briguela, Mané Gostoso e Cassimiro Coco sairão dos quatro cantos do país e pousarão no palco da capital federal. Os bonecos do imaginário popular, que contam histórias para adultos e crianças, vão se misturar a brinquedos de luva e de vara vindos de mais longe, do outro lado do oceano. Por trás das coxias, gente grande dará vida a eles, a partir de hoje, durante o 8º Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Brasília.
Até domingo, o evento reúne grupos brasileiros (Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro e Rio de Grande do Sul) e de países europeus e latinos (Hungria, República Tcheca, Bélgica, Itália, Chile, Uruguai e Argentina) no Complexo Cultural da Funarte. A entrada é franca e a classificação indicativa, livre.
"Trazemos propostas estéticas variadas em apresentações com técnicas de manipulação e dramaturgia diferentes. Na Hungria, por exemplo, os grupos são mais minimalistas, fazem tudo com mão e braço. É a primeira vez que trazemos representantes do Leste Europeu. O leque do festival é imenso, para todos os gostos", explica o organizador, Ricardo Moreira.
Do DF, pelo menos 20 companhias se dividem entre bonequeiros e grupos de manifestação popular, já que, além das encenações teatrais, haverá rodas de prosa, dança e música regional. Vai ter circo, samba da Bahia, Boi do Seu Teodoro, tambor do Maranhão, pife, palhaços, forró.
"O festival, desde o início, sempre teve essa vertente de cultura popular. Os bonecos bebem dessa fonte há muitos anos. Eles contracenam com as cantigas, com os personagens folclóricos, com as crenças", acrescenta Ricardo Moreira.
Para tanto, haverá mais uma vez a reprodução da Vila Cassimiro Coco com as Casas dos Saberes. Serão 13 estruturas feitas de taipa para abrigar oficinas de brinquedos artesanais, rodas de conversas, exposições e comidas típicas. Destaque para a Casa Grávida, na qual escritores e contadores de histórias vão dar vida a contos, lendas e crendices.
Quem abre os festejos de bonecos hoje, às 19h, são os grupos Lambe-Lambe (BA) e As Caixeiras (DF). O primeiro criou o estilo de teatro em caixas, em 1980. O segundo o adotou há dois anos. "É muito importante participar de um festival em que vamos encontrar os criadores do que fazemos hoje. Só num evento assim para vermos bonequeiros de todo o país e do mundo, trocar técnicas, experiências e vivências", comenta uma das integrantes de As Caixeiras, Amara Hurtado.
A turma da Bahia vai mostrar a peça Sobrevivendo com pequenos bonecos manipulados com varetas. As Caixeiras apresentam teatro de mesmo nome sobre o universo feminino. "Uma pessoa por vez assiste dentro da caixa cada parte do espetáculo. Todas as cenas, de dois minutos, tratam do universo feminino", explica Amara Hurtado.
Para encerrar o primeiro dia, às 20h, a Cia. Figurina (Hungria) conta histórias com mãos e bonecos representando mágicos, malabaristas, homens fortes, treinadores de animais, acrobatas e trapezistas. O show Microcircus é uma animação manual e de objetos, compreensível a adultos e crianças.
8º FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE BONECOS De hoje a domingo, das 10h às 22h, no Complexo Cultural Funarte, atrás da Torre de TV. Hoje, às 19h, abertura com os grupos Lambe-Lambe (BA), As Caixeiras (DF), na Vila Cassimiro Coco (Pátio externo) e, às 20h, com a Cia. Figurina (Hungria), no Teatro Plínio Marcos. Entrada franca e classificação indicativa livre.
O número 50 Grupos, pelo menos, vão se apresentar até domingo
Confira a programação completa do festival
As companhias
Lambe-Lambe » O nome do novo formato de teatro de animação foi dado pelo grupo baiano de Ismine Lima e Denise Santos no fim da década de 1980, na Bahia, em função do formato da caixa, semelhante às antigas câmeras fotográficas. Com uma espécie de cortina que cobre o espectador e o manipulador, as cenas são apresentadas a uma pessoa por vez que observa a encenação por um buraco.
Sobrevivendo » O enredo se desenvolve em torno da estupidez de um caçador e da esperteza de um primata. O segundo, de perseguido passa a ser perseguidor. E vice-versa. O espetáculo faz uma grande brincadeira com o público.
As Caixeiras » O espetáculo tem quatro atos: O vestido, inspirado no poema de Carlos Drummond de Andrade, conta o drama de três corações partidos. A mensagem trata de uma cigana que fala da caverna do inconsciente e entrega uma mensagem ao espectador. Ataque de nervos é a história do cotidiano da mulher, da dificuldade de lidar com mil coisas ao mesmo tempo. E Priscila perereca é um conto de fadas entre a perereca e o príncipe.
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